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| Amanda Rodrgiues em foto após a apresentação do Cordão do Gato Branco. |
Amanda Jennhyfer Rodrigues dos Santos nasceu no dia 27 de abril de 1998, no Hospital e Maternidade Sant’Ana, na cidade de Igarapé-Miri (PA). Viveu sua infância no bairro da Matinha, onde cresceu e reside até os dias atuais.
Em 2018, iniciou sua trajetória acadêmica no curso de Pedagogia pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), concluindo a graduação em 2022. Atualmente, é graduanda do curso de Ciências Biológicas pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).
Amante de gatos e cachorros, desde o ano de 2021, atua como voluntária na ONG Paraíso Animal, onde trabalha no resgate de animais de rua em Igarapé-Miri. Ao lado de parceiros, ela dedica-se ao acolhimento e cuidado desses animais, garantindo-lhes tratamento e a chance de uma adoção responsável. Seu trabalho voluntário é fundamental para salvar vidas e oferecer um novo destino a cães e gatos abandonados na região.
Apaixonada pela cultura junina e pelas tradições do São João em Igarapé-Miri, em 2023 identificou a necessidade de fortalecer e valorizar as manifestações culturais regionais. Diante disso, decidiu assumir a iniciativa de retomar a tradição do Cordão de Bicho Gato Branco. Por ser tutora de três gatos, sendo duas gatinhas brancas, Amanda se identificou de imediato com o nome do cordão, que conheceu por meio de pesquisas realizadas no projeto Cordões de Memórias, grupo dedicado ao estudo das histórias e vivências dos antigos brincantes dos Cordões de Pássaros, Bichos e Bois do município.
No ano de 2022, Amanda procurou a senhora Joventina Ferreira, filha do fundador do Cordão do Gato Branco, realizou entrevistas e, a partir desses registros, promoveu a retomada de uma tradição que permanecia adormecida há décadas, reativando o histórico cordão de bicho.
A história do Cordão de Bicho Gato Branco teve início no ano de 1951, no rio Tapiaí, região do Alto Anapu, com Angelino Ferreira da Silva, popularmente conhecido como Mosquito. Nascido em Belém, no dia 27 de setembro de 1910, Angelino foi um talentoso músico, instrumentista e compositor. Viveu parte de sua vida na capital paraense, onde teve contato com diversas manifestações culturais, como cordões de pássaros e bichos, bois-bumbás e pastorinhas.
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| Foto de Angelino Ferreira da Silva, fundador do Cordão de Bicho Gato Branco. |
Angelino perdeu a mãe, Joventina, ainda no parto. Foi criado por seu pai, Olavo, que trabalhava em embarcações e viajava com frequência ao Rio de Janeiro. Durante essas ausências, Angelino ficava aos cuidados de parentes e de sua madrinha. Aos 12 anos, com a morte do pai, passou a viver em definitivo com a madrinha e os familiares.
Já com 19 anos, ainda em Belém, Angelino conheceu Vadico, um amigo que o convidou para assistir a um jogo de futebol no rio Anapu, no interior do município de Igarapé-Miri. Foi ali que Angelino conheceu a hospitalidade dos moradores locais e desenvolveu um forte vínculo afetivo com a região.
Fixou-se no rio Tapiaí, no Alto Anapu, onde conheceu e se casou com Zumira de Lima Ferreira, com quem teve 10 filhos. Por conta de uma promessa feita pelo nascimento da primeira filha, Angelino e Zumira começaram a festejar Santa Terezinha, construindo um barracão em sua homenagem, onde a santa era venerada. A festividade cresceu e passou a atrair devotos de várias partes de Igarapé-Miri e de municípios vizinhos.
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| Ilustração do Cordão de Bicho Gato Branco na década de 50. |
Aproveitando sua vivência nas manifestações culturais de Belém, Angelino criou, no ano de 1951, o Cordão do Gato, no rio Tapiaí. O grupo começou com cerca de 20 personagens e logo se tornou presença constante nas festas católicas da zona rural. Em julho, durante a Festa de Sant’Ana, o cordão saía de barco do rio Anapu rumo à cidade de Igarapé-Miri, desfilando pelas ruas em cortejo musical. O grupo era acompanhado pela orquestra “Lyra Platina”, composta por músicos de sopro e percussão. Angelino integrou essa orquestra desde 1941, e posteriormente também tocou banjo na Orquestra Tupy.
Na cidade, o Cordão do Gato realizava apresentações em cortejo, entrando em algumas casas para encenações. O personagem do gato era representado por uma menina vestida com um short branco, que carregava sobre si uma alegoria de um gato branco, semelhante à figura do boi-bumbá.
Angelino faleceu em agosto de 1975, sendo sepultado no Cemitério da Vila Menino Deus do Anapu. Seu legado permanece vivo como expressão da cultura popular amazônica e miriense.


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